domingo, 26 de fevereiro de 2012

AUTO-RETRATO EM 3 TEMPOS (Sinais particulares...)



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Sinais particulares :
poemas sem corpo e sem título,
doidice e uma maldita lucidez, 
uma terra, a dos poetas - Palmares,
uma mulher - América,
canção proibida - Amar Recife,
a cidade atravessada na garganta, 
coração portátil alegre indignado e ferido,
um Nordeste em carne & osso,
poesia viva das cidades brasileiras, 
palavras sempre mais humanas, 
um milênio de setembros 
e futuros perfeitos.
Todas as inumeráveis páginas que escrevo
são só um único poema 
ou mesmo um único verso.
Eu sou cada palavra que você lê guarda preserva desdenha ou destrói
e morro quando você não abre o livro
e vivo quando você me pronuncia.    


(Palmares, julho / 2004) 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AUTO-RETRATO EM 3 TEMPOS ("Feições limpas pele clara carne viva")




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Feições limpas pele clara carne viva 
de uma beleza única incompreensível
e nunca vista 
como a de todo poeta 
- porque ninguém mergulha dentro de mim.  
Poeta desde que me descobri  homem 
com Destino certo entregue à Poesia,
sem precisar de arautos autorizações e atestados críticos
ou qualquer formação na escola dos outros. 
Aprendi na vida sem me enganar
 e porque sou poeta 
sei antes de ler e escrevo sem saber o que escreverei. 
Tenho no coração provinciano a grandeza de São Paulo
e pela metrópole do meu cérebro acordado 24 horas por dia 
sonho a cada segundo uma única cidade humana. 
Escrevo porque é preciso escrever
porque os homens precisam que os poetas escrevam 
e lhes dêem notícias deste mundo e de outros mundos que eles não conhecem,
escrevo porque o meu coração se abre a todo instante 
para falar em voz alta sem medo 
negando o Silêncio a Solidão a Morte. 
Verbo em vida me inscrevo
com a nudez humilde dos que nascem
e o despojamento corporal dos que morrem. 
Escrevo sanguíneo rio-mar vertigem sem parar 
no turbilhão de mim mesmo 
encarnado em cada verso canção poema 
com uma eternidade em meio século de idade. 


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(Palmares, julho/2004)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

AUTO-RETRATO EM 3 TEMPOS





Sou o que sou, minhas palavras.
Além disso, referencio Palmares 
- cidade perdida no cu do mundo,
um Pernambuco quase sem terra no mapa,
brasileiro Brasil hino sem estribilho
bandeira ao vento sem ordem e progresso. 
Fiho de pai alagoano e mãe pernambucana
ele de pouca leitura ela analfabeta
- almas sensíveis encontradas na Mata do Una,
como os avós paternos bichos alagoanos caboclos mundaús
e os avós maternos índia e branco do mesmo barro. 
Filho mais velho
em companhia de um irmão e mais quatro irmãs 
e pai de dois filhos e de uma filha 
já criados nus como nasceram. 
De estatura massa corporal suficiente 
para viagens terrestres e extra-viagens 
além dos limites do próprio corpo
alma-espírito em sintonia com o universo. 

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(Palmares, julho/2004)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

UM AZTECA




A América nasceu do meu sangue 
E vive do meu sacrifício.
Lâminas e armas-de-fogo
Não destruiram meus ancestrais
E o milho frutifica o sol
Sobre as edificações do meu coração.
Meu pensamento perpetua o meu povo :
A terra é o que são os seus homens.  



América do Sul, julho / 2004.