quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A MÁRCIA ARTE

não quero mais ler
quero ler-te
pronunciar-te
rabiscar
escrevinhar
com a minha língua
teu nome
linguar-te
lamber-te
eme a erre cê i a
Márcia
macia carne
corpo tenroso
terrena tela
para pintar-te
como eu pinto
meu pau aceso
encaralhar-te
escrevendo em fogo
dentro de ti
o meu e o teu nome
para sempre
me fazendo eterno
e tua eternidade



(Palmares, maio / 2002)

domingo, 7 de novembro de 2010

RIO UNA (PALMARES)

da janela do hotel
vejo o rio
Una Una negro negro
refletindo verdes
terras canaviais montes


o rio se move
e as águas parecem paradas
passantes ? errantes ?
a água é terra líquida
e o céu não tem
no sol da tarde
o mesmo brilho do seu leito


o rio não passa
não vai a lugar nenhum
o rio fixa-se no corpo da cidade
como um colar
enfeitado pelo seu colo
cobra coleando os limites urbanos
além do tempo
além da vida


(Palmares, 12/maio/2002)