domingo, 21 de abril de 2013

LIMITES URBANOS





A insegurança bate à tua porta 
Como uma venda lotérica 
Um anúncio de jornal 
Ou um pedido de pão.

A rua te assalta 
Com postes acesos
À luz do dia 
E as casas não te encontram 
Portas não te abraçam 
Janelas não te vêem. 

Ônibus e carros buzinam 
Estragos desenfreados 
Sobre os nervos do teu medo. 

Estás só como ninguém
Crucificado na paisagem
Desaparecido na vertigem
Do passeio da tua casa à cidade
Sozinho como uma multidão cega 
Perdido no teu próprio sequestro
Sem resgates ou exigências 
Como um número que não conta 
Um nome que não existe.  



(Jardim Atlântico, Olinda,  março / 2005)