domingo, 20 de março de 2011

SEM VIDA

O vinho seco trava e amarga.
Tem um gosto perdido de passado.
O lugar é inútil.
A rua não tem a menor graça.
Há mulheres vozes canções
talvez poesia em algum gesto
dos habitantes desertos do bar.
Não interessa.
Nem mesmo a cidade existe.
Se eu sei que posso perder
a mulher que amo
- este é o meu tormento -
e a tristeza sufoca o meu coração,
sei que posso não ter mais
alegria de viver.
Deve ser assim que se morre.



Palmares, 2002.

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